quarta-feira, 25 de junho de 2014

Me perdi no tempo...

Wild Nothing - Nocturne



"Sabe aquela história de que qualquer dia a gente se encontra? Se eu disser que é possível, basta adicionar ao tempo uma melodia. Não entendeu? Pois feche os olhos, imagine uma escada rolante, dela eu desço com mais dois amigos e você de baixo observa o seu amor descer em sua direção. - não teve música, você falou que precisava de música... - mas acontece que você já viajou e o que te faz sentir isso é real no tempo..."



Eram 2:13 e meu sono tinha acabado completamente. Me levei até o freezer. Algum congelado podia me deixar menos apático, mas ao paquerar com as poucas opções entre hamburguers e lasanha cheia daqueles terríveis carocinhos de tomate, preferi ir até a sacada pra ver o que ocorria na noite. Nenhuma estrela cadente, fazia pelo menos 6 anos que não via uma, as mesmas constelações, o mesmo breu entorpecente, a mesma cor, a mesma lua. Me vesti e pela escada de incêndio desci agasalhado e fui dar uma volta. Aquela iluminação amarelada assumia muita coisa, cidade sem cuidado, terceiro mundo, planeta terra. Ruas com dois sentidos que me deixavam confuso. A vida começa a perder o rumo quando se tem a opção de ir e voltar. Deve-se só ir, nunca voltar. O tempo foi inteligente quando escolheu só passar e os watchmakers tentaram manipulá-lo com frustração. Era bem esse tipo de pensamento que me fazia caminhar por horas, pensamentos sem nexo, sem propósito. Exatamente o que me fazia pensar em você, que pintou os cabelos há uns anos, mas não pintou de outra cor mais amorosa o que achava de mim. À luz do que eu achava sensato, você estava certa e eu completamente errado, mas as vezes a gente deseja coisas diferentes da realidade.
Sentado pensando em idéias assim um senhor se aproximou e falou de amor, coração, saudade. Eu escutava atento aquela história, mas estava mais atento em como contextualizá-la em minha própria miséria. Uns têm falta de comida, eu tinha falta de apego. Havia me perdido no tempo e embora já tivesse desistido de procurar uma nova chave de portal, viver uma realidade alternativa não é bacana como se pensa. Imagine você que eu era um watchmaker e isso é realmente cômico, pois foi na tentativa de manipular o tempo, que ele foi mais sagaz que eu e me tomou um encontro, meus pais e a minha habilidade de compor canções, fator x na hora de viajar. Eu precisava de três coisas, um relógio com ponteiros ajustáveis, uma estrela cadente e uma composição vinda de uma verdadeira inspiração. Sim, eu era O Viajante Perdido. O prazer é todo seu, porque eu ainda estou perseguindo o marco zero, onde eu deixei o tempo me levar até aqui e essa é a minha história.

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