segunda-feira, 28 de outubro de 2013

50%

Keane - Snow Under


"da correnteza, nadando pra sair, me puxando pra voltar, afoguei-me. é da natureza, quando ela age os corações se partem..."


Descobri sem querer como te fazer um poço de desgosto, foi ser eu por uns dias e no outro você estava bem longe. É, eu sei, sou intragável, estranho, de jeito nenhum sou aquele que podia te fazer mais feliz que isso, e olha, você está bem acabada. Enquanto eu puxava pra dentro o que havia escapado sobre os meus sentimentos, as minhas últimas mensagens na sua caixa de entrada ainda estavam por ler, o que me permitia concluir, com expectativa de merda, um monte de coisa sem sentido, mas sempre  houve um padrão. Começo com uma música pra dar a emoção do que se passava na hora, depois, o que vem entre as aspas, diz por onde você deve pensar na hora de ler e me entender. Logo em seguida vem a única ficção do mundo,  o quem sou eu e o que aconteceu. E assim as coisas vão se pondo no lugar. Hora auto-resgates, hora buracos e eu gosto que permaneça assim. Sou a única pessoa que pode fazer isso, o resgate mora em mim, pois depositar essa função em alguém torna sua vida sem propósito, afinal só você pode se mover de onde você se colocou.

domingo, 27 de outubro de 2013

Depende

Keane - Your Love

Nunca acredite nas suas expectativas, acredite nos fatos. Por isso, um conselho, não pense ou elabore planos demais, pergunte, tire suas dúvidas, encare seus mais profundos medos, não se deixe levar pelo que você acha que é, descubra. O medo não passa de uma escolha boba, é um artifício que a gente usa pra ficar bem, pra não encarar nossos maiores amores ou maiores derrotas."


 



quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A trama

 Jackson Browne - These Days




"Se meus Amores estão aqui, então eu fico aqui, não importa o quanto ali me prometa, eu fico aqui." James


"E de tanto tentar me replantar, enraizei-me." ( o que seria o meu melhor poema se perdeu )


Não agradeço ao mundo, ele é voraz, desmerece o meu amor. Suas tramas me entristecem e em sua ausência, me escolheu pra arrancar as palavras que eu achava que escrevia. Não agradeço ao mundo, ele me deixou sem chão, sem teto, com frio, fome e sede. Hoje a trama me pegou, mas amanhã se eu pego a trama, ela nunca mais lágrima de ninguém derrama


terça-feira, 22 de outubro de 2013

Era

Keane - Snow Under


"da mesa dava pra te ver, sentada, de pernas cruzadas, olhando pra mim..."


Foi aos poucos, mas a gente voltou a se falar, e rir de algumas bobagens também voltou a fazer parte da estranheza que era te ver por ali denovo. Quando eu pensava no que tinha acontecido, ainda ficava um pouco indigesto, afinal eu adorava te ter por perto e agora eu só gostava. Há um abismo entre essas duas pontas, porque numa delas eu seria capaz de pular de um trem só pra te devolver o que você tinha esquecido, em outra eu só gritaria te chamando atenção pra dizer que o show, que não  nos encontramos, foi chato. Saber que estava ficando tudo bem me deixava menos confuso, menos idiota, menos calmo também. Aconteceu, sabe, e não querer te ver por um tempo só me serviu pra perceber que uns quilinhos a mais te deixava redondamente desejável e não feia como todos aqueles idiotas te diziam.
Quando você ficava bonita demais, minha atenção perdia o foco no que realmente importava e te ouvir argumentando sobre política de desarmamento ou direito humanos me fazia pensar em sexo, era esquisito. Soube que estava namorando há pouco mais de um ano, apesar de quase todo mundo sem cérebro que te rodeava deixar claro aquele papinho de um novo amor pra curar outro, eu achava difícil me esquecer, mas era eu quem achava, não você. Daí minha frase de efeito pra quem perguntava, que era "Duvido se curar da gente.", rapidinho passou pra "Duvido que ela se envolva tanto..", que se transformou nesse exato momento em "Duvido que ela ainda lembre de alguma coisa...". Por fim, sem ressentimento, ainda bem que chegamos aqui.
Estava ali sentada, rindo sozinha olhando o celular. Satisfeita ou não, agora não interessava. Tinha decidido nunca mais tocar no nosso assunto. Além de cicatrizes, havia também uma vergonha por tudo que aconteceu ou o que poderia acontecer, ainda hoje, ainda agora, se um pouquinho de verdade te encontrasse num gole de vodka barata. Então era por isso que você bebia...Era.

sábado, 19 de outubro de 2013

I'm Glad It's Over

Blind Guardian - The Bard's Song



"There's a cold voice on the air
You've been looking everywhere"


Estava frio, não como nos dias frios, estava denso, não como nos dias carregados. Era um grupo de cinco, mas não cinco em um grupo. Era difícil definir que tipo de coisa buscavam, para onde iriam e onde toda aquela última noite iria os levar. Tantas missões fizeram do companheirismo algo abstrato. Sabiam que a sobrevivência dependia de todos, mas tanto tempo longe de casa, longe dos próprios objetivos, próximos de tanta farsa e mentira, deteriorou-se aquele sentimento de equipe e o que restou podia explodir a qualquer momento.
Há meses, o grupo liderado por um homem de meia-idade, completamente desconhecido, havia saído contra o tempo, caçando uma mensagem que não deveria chegar ao destino. A ordem era de impedir a sua entrega, mas impedir, dentro de um bando de mercenários, tinha múltiplas interpretações, que com certeza não seria escolhida da melhor forma.
O contratante tinha dado poucas informações. Era preciso descer a estrada no sentido sul e procurar um sujeito contrabandista, nômade e estaria na Doze Pontas. Acontece que a feira era algo desconhecido e os poucos que ouviram falar dela estavam presos ou condenados às minas ao norte. Ir ao norte era ir contra o caminho, portanto ao sul, mesmo sem saber onde e como, era a melhor opção.
Os dias passaram rápidos nas primeiras semanas. Nessa época do ano as estradas estavam movimentadas, era impossível passar mais de dez horas sem cruzar com uma ou mais pessoas viajando ou em comércio. Latoeiros, cobradores, sentinelas, completos estranhos, suspeitos.
Já era perto da hora última e o líder estava de guarda, enquanto três dormiam e a garota escrevia próxima à fogueira. Estava frio, não como nos dias frios, estava denso, não como nos dias carregados.

- Garota...faça silêncio com essa pena... - virou-se para o lado esquerdo e tentou sentir algo no ar, a garota se virou na mesma direção e um silêncio se instalou entre os dois.
- O que você ouviu? - disse com ar de preocupação e atenção.
- Nada. Senti. Esconda seus cabelos, estão me atrapalhando. Rápido! - ela levou as mãos aos cabelos e os amarrou, colocando-os por dentro de seu capuz.
- Está vindo mais ao norte. - disse ela cerrando os olhos e levando as mãos às orelhas.
- Você pode ouvir? - Perguntou o líder, que de imediato e sem alarme acordou os outros três.
- Sim, ainda está muito longe, mas quando o Sr. os sentiu, fez com que eu me concentrasse para perceber. O som está abafado, não posso dizer o que é ainda, mas a essa hora, não posso descartar a possibilidade de algo nada amigável.

Ambos permaneceram em silêncio por um longo momento e os que estavam deitados não se moveram. Experientes, apenas abriram os olhos e se utilizaram, cada um, de seus trunfos para tentar entender o que estava havendo.

- Sr.... - falou apressado, um dos homens deitados - mais ao sul, nessa trilha, podemos nos abrigar numa ruína. Não podemos nos arriscar num confronto à céu aberto.
- Não. De ruínas vivem os mortos e eu não pretendo me juntar a eles. Não essa noite.
- Mas...Sr...devemos nos proteger, não sabemos o que são, quem são e o que querem. - tentou argumentar.
- Devemos ir, Sr. - disse a garota - são um grupo de seis e estão se aproximando, devem ter se dividido para nos cercar. Sem lua não temos luz suficiente para nos prevenir de uma surpresa desagradável.



 Relutante os cinco se levantaram e apressaram o passo em direção às ruínas.

Parecia um templo, grandes colunas redondas e rachadas, duas escadarias de ambos os lados, que indicavam entradas e corredores laterais, mas sem entrada. Só escombros. Uma pequena cúpula ainda resistia ao avanço da mata nascente, porém não passava de um pequeno teto onde nem dormir seria uma boa escolha.
O grupo se posicionou tentando ter visão para todos os lados e o líder montou guarda na cúpula redonda. Ficaram ali por horas em silêncio absoluto, até que sol se revelou no horizonte.
Os cinco se reuniram na cúpula, quando foi justo que não havia mais risco e todos se olharam assustados e impressionados. Conforme os primeiros raios de sol  surgiam, os restos do que era um antigo templo, refletiam os feixes, iluminando às colunas e paredes caídas. As estruturas pareciam vivas e resplandeciam em contato com a luz alaranjada do sol nascente.

dia 3, recém manhã, templo de sol, Ayrine.








quinta-feira, 10 de outubro de 2013

E eu sinto muito

Kings of Convenience - Me in You


"Sinto fome, falta, medo, sinto dor, amor, sossego, sinto frio, saudade, apego, sinto falta, muita mesmo...'


A gente pensa que nossa vida é um quebra-cabeças e durante toda ela, meio que buscamos as missing pieces. Daí, quando o ciclo se completa e alguém vai-se em sua hora, batemos de frente com a epifania de que o tempo passa e leva as peças que nos completavam. A gente já é completo, só não entende porque tem coisa demais, é uma borda tão grande que ficamos anos pensando faltar alguma parte. Os pertences e sonhos são pedaços de algumas perdas que enfrentamos, até que alguém se vai. E aí, entendemos que somos todos retalhos um do outro. Sim, o tempo pode também tornar as dores obsoletas e insignificantes. Hoje eu sou pai e de mim essa nova peça nasceu. É nesse ponto que tudo se torna contraditório. Como somos completos? Por que achamos que não somos?
A vida é assim e jamais entenderemos as razões de tanta dor. A morte da carne é tão sofrida que foi o preço que Jesus pagou por nós. Acredito que por isso sentimos tanto. Os amigos se vão e com eles mais uma parte de nós se vai pro infinito, pra Deus, como eu gosto de pensar. Gostaria de deixar aqui meus abraços, sorrisos, desejos e afetos por todos os que se foram, em especial, hoje, para o Kim, e para os que ainda estão comigo vivendo esse momento. Nunca sumam, briguem, chorem, nunca morram, por que eu morro um pouco também, isso pra mim é empatia. Saudade hoje tem nome de força, como mamãe falou, o Urish, que teria adorado ter ouvido isso. Abraço à família, ao mazelinha, aos primos e parentes. Deus há de preencher e consolar seus corações.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...