Kings of Convenience - Parallel Lines
"Meu presente sempre me alcança, por mais que eu teime em usar essa máquina do tempo, meus sonhos..."
Senta aqui, que hoje vou te contar como algumas coisas aconteceram. Não é nenhuma novidade que nossa última conversa nos afastou por anos. Sem saber o que dizer e o que queríamos no momento, cada um tomou uma decisão baseado em interesses próprios. Eu te afugentei, você me envergonhou, contando tudo pra quem perguntasse. Fiquei totalmente embaraçada, enjoada, nervosa e a única maneira que encontrei de dizer que te perdoei, foi deixando de falar esse tempo todo. Até que te encontrei na virada, te desejei coisas boas, e tudo aquilo que um dia não soube lidar e dizer o que realmente era, retornou como uma poeira dourada. Respirei profundamente. Acabei realizando os desejos no meu mais novo você. Porém, por não ser você não foi, sabe. Tudo volta quando me pego pensando nisso. Queria poder dizer pra você deixar de aparecer por aqui, queria poder me agarrar à nossa antiga intriga pra te evitar, queria mais uma razão sem sentido pra me evitar também, porque não aguento mais pensar tanto assim, que quis tanto sem saber receber, aceitar e te dar também.
Apaguei as fotos, contatos, não respondo mais, enfim, nem mesmo eu posso me encontrar, me recordar. Meus anos vão passando e meu presente seria vindo de outro passado. A verdade é que sou pra ele, o que eu jamais seria pra você, e isso me conforta, pode ter certeza sim. Eu fico tingindo meus dias da sua cor, e eu sei que você percebe. Tento reproduzir por aqui o que seria por aí, sem gosto, forma, efeito, sem jeito. Vou me despir pra quem? Sabe aquilo que falei sobre você não mais aparecer, pois é, esquece, continua vindo, ninguém precisa saber.
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