Kings of Convenience - Cayman Islands
"Até que não foi de todo estranho. Queria confessar, nem que dentre os mais simples argumentos, pudesse tirar as mais vis intenções. Você entendeu, entendemos, e a gente seguiu meio junto, preferindo acreditar que era tudo uma bobagem e que logo tudo isso ia passar."
Se pudesse apostar, diria que a incerteza pousou de leve no seu ombro, quando você bateu a minha porta, naquela noite. Não só pelo fato de você vir no meio da chuva, mas também por ter atravessado o seu estado confuso, pra me dizer, pelo lado de fora, que queria tudo igual a mim, mas não podia assumir pra si mesma, até agora. Por isso tinha saído sozinha, meio fora de hora, com bebidas e falsas convicções, que inventou pra ter coragem de me dizer. Já não dava mais pra acontecer. Já tinha me desculpado, explicado e a gente parecia ter concordado, que os deslizes são como crianças, elétricas, sem freio e intensas. Éramos adultos, sem tato pra isso.
Te fazer entrar foi fácil, difícil foi te deixar ir embora, não poder te levar embora.
Encolhi na sua despedida sem jeito, sem saber me dizer um boa noite de querendo ir embora, sem condições de um abraço sem pretextos, sem a impossibilidade de entendermos tudo errado. E no final, um 'até mais' nos desfez com mais significado que poderíamos entender.
Você escreve divinamente bem :)
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