Vinícius de Moraes - Onde anda você.
Acredito tão piamente em amor à primeira vista, que dentro de um limite sensato, torço pra que isso não me aconteça mais do que mais duas vezes até a minha morte. Existem maneiras de desfrutar muito mais alguém, então quem sou eu pra explorar a possibilidade de subir uma escada rolante e me deparar com um par de pernas, um vestido azul e uma mancha vermelha, lisa e completamente ofuscante de cabelos, que ficaram dias fazendo parte da minha mais ansiosa inspiração pra te escrever. Fico contigo no plano das idéias, sorrindo bobo, tratando minha imaginação com a verdadeira sinceridade. Quem sabe um dia topemos por aí e toda essa expectativa se torne uma crua realidade.
Te ajudei a arrumar algumas coisas, trocar alguns livros antigos, organizar velhos papéis, fui até o teatro recuperar suas últimas fantasias, ouvi uma conversa sua no telefone, enfim, fiz minha obrigação como amigo e por mais que isso fosse um título valorizado, eu ainda queria arriscar essa nossa relação, já que simplesmente tinha aquela sensação idiota de que comigo ia ser diferente. É o tipo de coisa que todo mundo que ainda tem auto-estima precisa cultivar, não sei exatamente por que, mas acho que chega uma hora em que o corpo pode chegar a reagir mal às emoções, sejam elas amorosas ou dos outros tipos que não fazem muito sentido.
Aos 12 anos me fiz essa perguta pela primeira vez: Por que preciso te beijar pra selar o meu amor? Amor, pra mim, envolvia muito mais oferta que procura, bem mais ação que reação, não é o tipo de coisa que você planeja, talvez até seja em alguma esfera infantil, o pedido, no primeiro beijo, a virgindade, mas depois de uns anos os papéis se invertem e o limite entre a atração e o sentimento são facilmente estourados, daí você troca o real pelo artificial. Já bebeu suco de caixa? Pode ter escrito "feito com o suco da fruta", mas tente adoçar e você percebe a gritante diferença.
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