quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

"Seja lá do jeito que for, vai ser o melhor."

Vinícius de Moraes - Onde anda você.

Acredito tão piamente em amor à primeira vista, que dentro de um limite sensato, torço pra que isso não me aconteça mais do que mais duas vezes até a minha morte. Existem maneiras de desfrutar muito mais alguém, então quem sou eu pra explorar a possibilidade de subir uma escada rolante e me deparar com um par de pernas, um vestido azul e uma mancha vermelha, lisa e completamente ofuscante de cabelos, que ficaram dias fazendo parte da minha mais ansiosa inspiração pra te escrever. Fico contigo no plano das idéias, sorrindo bobo, tratando minha imaginação com a verdadeira sinceridade. Quem sabe um dia topemos por aí e toda essa expectativa se torne uma crua realidade.

Te ajudei a arrumar algumas coisas, trocar alguns livros antigos, organizar velhos papéis, fui até o teatro recuperar suas últimas fantasias, ouvi uma conversa sua no telefone, enfim, fiz minha obrigação como amigo e por mais que isso fosse um título valorizado, eu ainda queria arriscar essa nossa relação, já que simplesmente tinha aquela sensação idiota de que comigo ia ser diferente. É o tipo de coisa que todo mundo que ainda tem auto-estima precisa cultivar, não sei exatamente por que, mas acho que chega uma hora em que o corpo pode chegar a reagir mal às emoções, sejam elas amorosas ou dos outros tipos que não fazem muito sentido.
Aos 12 anos me fiz essa perguta pela primeira vez: Por que preciso te beijar pra selar o meu amor? Amor, pra mim, envolvia muito mais oferta que procura, bem mais ação que reação, não é o tipo de coisa que você planeja, talvez até seja em alguma esfera infantil, o pedido, no primeiro beijo, a virgindade, mas depois de uns anos os papéis se invertem e o limite entre a atração e o sentimento são facilmente estourados, daí você troca o real pelo artificial. Já bebeu suco de caixa? Pode ter escrito "feito com o suco da fruta", mas tente adoçar e você percebe a gritante diferença.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Por que você não vem morar comigo?

Chico César - Mulher eu sei.

Tirando alguns pocket books, uns três ou quatro álbuns dos anos 80 e minha saudosa maneira de dizer que sinto falta de umas cinco ou menos pessoas, estou indo mais ou menos. Sabe aquele sofá amarronzado que herdei da vovó, troquei por uma geladeira usada e, hoje, posso considerar essa aquisição uma das melhores coisas que fiz depois da terapia em grupo aos sábados.
A cafeteira ainda é a mesma, espalha pó de café enquanto esquenta, mas é tudo uma questão de prática. Mudei o espelho de lugar, acredito que fique melhor mesmo no closet. Ah, não menos importante, contratei uma faxineira toda quarta pela manhã. Por que você não vem morar comigo?

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...