quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Até então.

Palpitation - You and I

"Sentei e o monólogo começou. Ah, por que fazia tempo que eu não sentia isso, depois veio um papo de que a insegurança consigo mesma era um sobrenome registrado, e ficou mais brabo quando aquele ex cruzou a nossa mesa e te cumprimentou. Resumidamente nosso tempo de duração chegou ao fim quando seu trejeitos ficaram freneticamente irregulares entre sorrisos e um ar de estou maravilhosamente bem com o meu novo romance, mais alguma coisa?"


Entre algumas variáveis, goles de bourbon, uvas secas e pernas cruzadas, estava ali ela, diante de dezenas de pessoas completamente desconhecidas, convidando quem quer que fosse pra qualquer tipo de idéia maluca. Tem muita gente velha por aí, mas e daí que eu sou tipo um deles, que gosta das coisas assim sem muita enrolação. Dava até pra suportar alguma dificuldade, mas ser cheia de não me toques me fazia te confundir com a porra de um telefonema as quatro da manhã, que não quer dizer nada além de saber se eu tinha conseguido dormir nas últimas duas noites. Incomoda pra caralho. Olha, ninguém me ligou, o meu tédio passou, as minhas olheiras sumiram, meu humor, que Deus o tenha, e minhas últimas esperanças de parecer um cara de poucas palavras, foram-se depois da noitada em que me deparei com a minha versão alternativa sem óculos, com a guria que eu queria pegar e franzino, por que a vida tinha que satirizar minha falta de expectativa estética. Ah, me poupe o trabalho de enfrentar milhares de barreiras, se você mesma sabe que no fim vai me dizer que foi tudo parte do jogo. É difícil assumir, mas acredite, nossa conversinha ali, sem muita base pra algum sinal, deixou bem claro uma coisa, você já está preparando um terreno seguro pra seu próximo passo e estou disposto a servir de tapete para o desfile do seu novo traje em pedaços.

Garantias, promessas, projetos, é quando você inclui pessoas na sua vida e espera que elas façam parte, que sejam permanentes. Você já tropeçou por aqui, dá pra saber pelo jeito que a carruagem anda, pelo modo que as palavras são usadas, pelo jeito que vem a palavra sofrer depois da dúvida entre uma vida medíocre de solteira, ou algumas festinhas de natal, ano novo, desejos e novas aspirações com o rapaz que te acompanha. Como se você não soubesse que a virada não vai mudar nada além do nome que vai dar pro novo fracasso 'eu.com, agora em versão inglês', é você vai viajar pra terra do Let it Be.

A gente acha que o que chega quando não se espera, é melhor do que o que se procura avidamente, mas a verdade não está escondida dentro de um misterioso novo namorado, nem num antigo caso, nem naquilo que podia dar certo. Ela está na maneira em como você recebe cada pitada salgada de um novo amor. De braços cruzados e sorriso no rosto, vestido com um suave decote, é até bonita, a voz é meiga, tinge os cabelos, sabe cuidar do que tem, mas o coração bate com tanta desesperança que é uma perda enorme de tempo.
Cá aqui, entre nós, eu até gosto de você e passaria noites e manhãs acompanhando seu swing, rebolados e calafrios, mas assim, sem um peito honesto e livre, prefiro deixar pra outro mês, outro ano, até que também esteja pronto pra te fazer tão ímpar quanto eu.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Cedo ou Tarde, chega o Natal.

Coldplay - Have Yourself a Merry Little Christmas


Aqui, diante de todos os dias, existe um estado de espírito. Embora comemorado em um único dia, é uma tradição que ainda me comove e me lembra a infância. Os presentes, as bolinhas penduradas na árvore, que montamos há uma semana com ansiedade. Aquele encanto com o sorriso, com as desculpas, o desencargo, o perdão, as lágrimas, saudades, tudo. Você deve sentir tudo isso, à sua maneira, claro. Há alguém distante, esquecido, em falta, mas no dia do natal tudo parece próximo, e é nele que você deposita as grandes e verdadeiras aspirações de um ano, vida, sonho. Não é uma questão de crença, afinal um sentimento não pode ser simplesmente acrescentado em você por um meio social, é uma coisa tão simples, que podemos procurar no dicionário, livros, poetas, escritores, sábios e ninguém pode dizer o que significa esse dia, um dia apenas, em sua passageira existência.

Passei muitos natais em claro, observando como meu coração reagia às tantas bençãos e entraves durante o ano. Falhei com alguns, insisti com outros, despedacei esperanças e as minhas se renovaram também. Nunca fez sentido, pra mim, passar esse dia em casa, mas hoje, por conta de uma doencinha fiquei por aqui, porém vi os que pude ver, e tive que deixar tantos outros pra outro momento. Cheguei a crer que podia suportar meu nariz espirrando, meu corpo cansado, mas não, então uso esse meio pra comentar de forma clara, como quase nunca faço, alguns dos meus pensamentos mais honestos.

O natal, querendo ou não, nos recorda Jesus, mesmo que você não tenha lembrado Dele durante todos esses 365 dias. Quando alguém não entende como eu me sinto, fico triste, tento explicar de outras maneiras, mas a verdade é que somente Deus e Jesus, entendem a gente. Um amigo pode ouvir, os pais podem te abraçar, irmãos podem te aconselhar, a família te proteger, músicas te animar, livros te inspirar, mas somente Deus e Jesus são capazes de te Amar verdadeiramente. Hoje, alguns sentem falta de amor, de alguém, de uma razão, um trabalho, um perdão, mas eu venho te lembrar que a única falta que faz sentido é a falta de Deus na minha e sua vida. É impossível ser perfeito, não pelas oportunidades de errar, mas é do homem deslizar durante essa caminhada, esse crescimento. O sentido disso tudo pra mim é claro, para que jamais na soberba homem nenhum se compare à Deus, mesmo que haja aqueles que já se comparem. Ora, quem sou eu, diante de vocês meus amigos, irmãos, amigas, amores e ex-amores, para afirmar com precisão a hora e o tempo que Deus tem para cada coisa na nossa vida, mas posso te afirmar uma coisa, Deus faz. Fez pra mim, esses dias mesmo, e continua fazendo, agindo, amando, perdoando, consolando, guiando, ensinando. Ele está aí do seu lado, agora mesmo.

Feliz Natal...
Obrigado por lerem com carinho.

Eliúde Soares.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Pouco à Pouco

Eagles - Pretty Maids In a Row



"Preciso, Detesto, Quero e Insisto. Essas foram as últimas palavras marcantes e restantes da nossa, futuramente saudosa, separação, e sabe de uma coisa, eu me saí muito bem no quesito amor-próprio."



Reinamos por um tempo naquele espaço. Tinha um lugar pros meus livros, pras minhas roupas e um travesseiro pra cochilar. Nunca imaginei tamanha infância em conjunto, mas sabe como é, gostar faz a gente gravar um coletânea de Rain Song à Smile - porque, de fato, não te ver é como um dia de domingo chuvoso, entediante e cinza, e te ver é questionar todos os outros que me deram motivos pra um sorriso sem-jeito -, é preparar um prato surpresa tirado de uma receita de um site de massas finas, enviar centenas de mensagens, até que o jeito é ouvir a sua voz rouca sussurrando de sono ao telefone. Se você me disser que não, isso não é necessário, te garanto carregada de todos os infelizes adjetivos, que ainda falta um pouco de romance boboca na sua vida. Pare aí mesmo onde você está, resgate uns acordes flutuantes daquela música que significou tudo, permita-se relembrar, pois o passado, certamente, vai te transportar pra esse presente em que isso passou e estamos bem, digo, um pouco melhor. Eu aqui, cheia de limites, e você aí terminando de montar nosso quebra-cabeças, ambos corrigindo, cada um do seu jeito, uma intensa realidade. Percebemos a sutil diferença entre esperar e desejar algo, embora, agora, não faça sentido algum, almejar que uma dúzia de meses possa apagar todo um receio, por mais fadado que ele seja à falência. Ignorar, é solução pra quem escolhe passar um tempo sem ouvir aquela voz interna que diz 'que se dane, eu amo aquele cara', quando todos dizem pra você desencanar do babacão-imaturo que brilhava ao seu lado, por estar contigo.

Busquei muito significado nas minhas próprias justificativas, daí acabei por me tornar refém de uma sequência irregular de auto-boicotes aos meus sentimentos, emoções. Seria mais honesta se contasse que a vida, por aqui, só começou a seguir quando foi embora, e só quando voltou, tornou-se Viver. O que me fez questionar se eu quero mesmo uma história que se direciona a um 'pra frente' ou uma fantasia ao seu lado, sem rumo. Exagero é agir de psicopata do meu amor, caçando todo traço de sensação boa quando estamos juntos, pra suprimir vorazmente com festas, produtos do meio e garotos mais superficiais que esmalte fosco. Já me basta o tédio em decorrência das paqueras aleatórias, tentando definir aquilo que praticamos tão bem durante anos, ainda que nos mais mornos.

Que a Verdade seja mediadora, mas só saberemos as consequências no momento de decidir, seja lá o que for. Alguém disse um monte de baboseira sobre a saudade, intelectualizando uma coisa abstrata, e disso tudo, só entendi que existe uma luta que sempre irei perder, a contra a nossa lembrança. Portanto, se entende que há uma razão pra isso tudo, ela parte de uma passada frequente pelo quartinho das tranqueiras e vai até os detalhes que você, pouco à pouco, foi pegando o jeito de amar, denovo.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Sempre Quase

Luther Allison - Let's Try It Again


"De certa forma, era comovente te ver falando da gente como se fosse ontem. Apesar do tempo, quase 15 anos, podíamos nos considerar vitoriosos. Poucos são os que conseguem seguir com uma amizade depois de tantas partidas, buscas e, no íntimo da coisa, um balde inteiro de desilusões. O irritante, era que eu ficava com os olhos vermelhos, lacrimejando e desgastado, porque você era um espirro que não queria sair, aquela vontade que vem, mas não se realiza."



Quando se tratava de relacionamentos e de como eu agia dentro deles, o circo se armava. Hora o palhaço tomava de conta do picadeiro(tudo se tornava piada sem graça), depois o mágico arriscava um abracadabra sem rima(transformando apreço em desânimo). Na tentativa de ser ousado, me fazia de encantador de leões, mas sempre que tangia o chicote, ele me acertava e eu era o açoitado. Sem mais desculpas, porque não há como argumentar contra essa realidade, eu não sabia me comportar com aquela displicência natural dos ex-amantes. Eu gostava de gostar, amava amar, enfim, eu era o último dos caras que ficavam tristes sozinhos. A vida de solteiro cabia bem no meu contexto, mas era irritante perder tempo com o pouco que cada um tem à oferecer. Eu aspirava um completo, não me importava com cobertura, sempre fui do tipo que só curtia o recheio dos biscoitos. Viesse cheia de dúvidas, medos, anseios, mas que viesse com o pacote de oito, todo cheio de emoções e desenhos pra compartilhar. Sabor morango de preferência. Não é por que brinco, que não estou sendo sincero. É só meu jeito bobo de falar a verdade, sem deixar a possibilidade de não dar certo permanecer por mais tempo que a vontade de tentar denovo.

Foi eu deixar meu lado racional tocar uns dias, e lá estava eu tratando nossa destilada amizade como uma partida de bilhar, entre tacadas firmes, apostas e um punhado de giz pra marcar os pontos que decidiriam quem ia ceder primeiro. Fui fraco, muitas vezes por ser um péssimo jogador, um sedutor mastigado, mas tinha meus momentos e eles sempre vinham em reveladores beijos assustados e escondidos, pros amigos não entenderem tudo errado. Virou impraticável, ambos, seguirmos adiante. Acontece, querida, que nenhum de nós podia prever o que um simples caso, pós-namoro, poderia causar nos nossos lindos e saudáveis centros emocionais. Não existe ser imparcial com alguém que se gosta. Era a mesma ladainha quando um encontrava o outro com um terceiro parceiro(a), e isso acontecia mais frequentemente comigo, que precisava desviar minha intenção com você, aos beijos e fortes instintos com qualquer garota menos saborosa. Me pegar com outra, só me dava mais fome de você, o que eu não conseguia te fazer entender. O que não era de todo irremediável, bastando um desabafo irritado que o nosso combinado não era esse, um olhar de uma sobrancelha levantada, a cara de emburrada de braços cruzados...
- VEM AQUI! (gola da camisa, um beijo, mãos na cintura e segurada firme nos cabelos) -
Exatos 42 segundos de bolha, vista embaçada e reconhecer o lugar cheio de pessoas familiares, que não entenderam porcaria nenhuma do que acabava de acontecer.

Agora, fazem 27 dias desde que sua viagem teve início. Imagino que em Porto, além daquele sotaque medíocre, algum punhado de saudade te ajude a lembrar que diversão mesmo é por aqui, e que eu posso até estar torto, como estou, rodeado das mais desprezíveis garotas e dos tantos amigos que insistem pra que a nossa farsa não dê certo, mas fico da mesma forma, rabiscando seu nome numa tinta bem Clara, pra fazer do meu desejo a sua imagem e semelhança. Isso não foi uma declaração, garota, mas pode ter certeza que veio do meu mais recente personagem canastrão, aquele que sempre esteve aqui, esperando pelo seu primeiro ataquezinho de minha dona.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Não se preocupe.

U2 - I Still Haven't Find What I'm Looking For

Capítulo 1

"Eu era uma criatura pouco social. Não posso me culpar inteiramente por isso, em parte sim, por mais que nesse universo de milhões de pessoas, não houvesse uma sequer interessante o suficiente pra me tirar o fôlego, a calma e a turrice. Não adiantava tentar, tentar não era o ponto. Afinal, eu detestava tentar alguma coisa, por que sabia que não iria me conformar. Ficar agradecido fazia parte da minha incomum personalidade, e mais cedo teria que me sentir grato por fazer parte desse grupo tão seleto de babacas-prepotentes que circulavam por aí, fingindo...fingir não fazia parte de mim, se você não percebe meus detalhes, culpe-se, sozinho."

Bom, esse seria o início do meu livro de despedida, o que não faz sentido, por que eu não tenho idade pra pensar em me despedir das pessoas e isso parecer uma coisa grandiosa. Eu não estava embarcando no Titanic, pegando um trem desgovernado ou pulando sem paraquédas, mas me sentia tipo assim, quando se tratava de não ter uma solução pra grande parte dos problemas que envolviam eu, meu comportamento objetivo e as mulheres. Acontece que eu gosto de ser estranho, e isso passa longe de uma predeterminação cultural, por que se dependesse disso eu seria um cara de camisa xadrez, caricaturado com barba, atitude e pensamento revolucionário, ou seja, um tentativa de parecer menos idiota com tanta baboseira hipócrita por aí. Isso era uma coisa pra me aborrecer, mas pelo contrário, só me animava. Se não posso considerar que por você estar por perto, significa que eu valho alguma coisa, pelo menos me resta te fazer acreditar que por eu estar me aproximando, você deve valer, ou não. Mas isso era o suficiente pra me causar frenéticos espasmos de desespero, sozinho no meu quarto, enquanto você acreditava que eu estava maravilhosamente bem, e você com um sorriso estampado no rosto perguntando se eu estava bem.

Já era a quinta vez que eu passava na frente do seu prédio, sem saber por onde começar. Acreditava piamente, que fazendo círculos..Não acreditava, eu só queria conseguir parar, mas a cinética circular das suas últimas palavras me deixaram assim, voltando sempre pro mesmo ponto, em que estávamos confundindo tudo. Ah, eu só queria te dizer que pode parecer meio revoltado, mas pessoas como você, me fazem ter vontade de não conhecer mais ninguém. É, poxa, desculpa, mas a verdade tem que ser dita. Só senti que não faltava mais ninguém pra conhecer, quando você chegou. E o que é chato, é que se você não me aceitar, as coisas não vão ficar em um pé muito bom, o que não significa que eu vou desandar, mas quer dizer que as próximas, terão um desafio muito grande de me fazer ter novas esperanças. Chegar até aqui não era o meu foco. Pensava em alugar barrigas, por não acreditar em um filho nascido de um relacionamento natural, questionava a existência de uma alma tão sedenta quanto a minha, e duvidava do que diziam, quase sempre que havia sim, alguém por aí, esperando por mim. Isso era papo de dor de cotovelo, me fazia ter náuseas e uma disposição muito fria pra excluir minha vida do convívio dessas pessoas que só se aproximam pra falar exatamente o que todo mundo diz. Garota, tem um lugar aqui dentro feito uma cama, pra você morar, crescer e criar até um pé de bananas, se essa for sua ambição, não me importa, só gostaria de dividir isso com alguém, e eu gosto de você, sabe.

Anti-ontem Mesmo.

Tood Rundgren & Daryl Hall - Can We Still Be Friends


"Como consequência, me deixei surtar. Mesmo sabendo pra onde toda aquela euforia ia me conduzir, fui incapaz de evitar. Podia sentar no lugar mais longe de você, mas dessas sensações eu era cheio. A ansiedade era de ficar perto, querendo ou não. Eu nem pensava mais no não."


Eu estava tendo algumas complicações. Esconder que tinha conhecido alguém não era uma tarefa tão simples, por que de algum jeito, meus olhos mudavam de tom, o ânimo latente era refletido na minha disposição e eu não podia confiar no meu melhor amigo, ele sempre escancarava as minhas verdades. Quando eu pensei em escrever, não sabia o risco que corria, mas como uma alternativa válida, eu justificava que era tudo parte de uma ficção, e então, ficava menos desconfortável com a idéia de que alguém notaria sobre o que estava falando. Legal mesmo seria se a gente tivesse aquela ansiedade em responder, a minha se refletia em apertar f5 à cada doze minutos, a sua se fazia presente na ausência por dias de uma resposta. Eu entendia isso da melhor maneira possível, por que ainda não tinha cometido o erro patético de assumir pra você, parte da sensação pegajosa de ter os seus olhos coloridos de preto na pontinha do meu nariz.

Quando fiquei mais calmo pra pensar sobre isso, não pude concluir nada além de que você era alguém especialmente normal, com sobrancelhas estranhas, uma preferência anormal por pessoa altas, inteligentes e engraçadas, e de um arzinho 'penso pouco pra não pensar demais', o que significava pra mim 'não vai ser tão fácil me fazer pensar em você'. Alguma coisa me deixava meio sem jeito na hora de te falar alguma coisa, escolhia demais as palavras pra não parecer muito carente, ao mesmo tempo deixava claro que a sua companhia, por mais que meramente virtual, me fazia pensar em tanta coisa, que eu preferia ser como você, as vezes, e pensar pouco.

Não lembro quando foi a última vez que me senti assim, mas lembro de entrar em casa, depois de uma antiga briga feia, meio resmungando, meio concordando com a situação de que eu estava deixando escapar e esgotar o nosso apego, e tentar argumentar contra minha vontade de passar um tempo sem uma pessoa pra compartilhar as minhas vergonhas, medos e derrotas. Sempre vai ser cansativo dividir-se em partes, mas chega uma hora que até mesmo a mais profana garota, o mais patife garoto, prefere se repartir pra não ficar tal qual um balão de tantas características grosseiras. Uma companhia, nas nossas vidas, simplifica tudo. E eu estava precisando de uma, mas não precisava mais escolher, perder dias e meses, e textos, e desculpas, e mesmices, pra encontrar uma razão pras minhas eternas faltas como criatura social, você já tinha me aparecido em meio à um pedido de desculpas, seguido de uma explicação e uma desconcertante conversa sobre as coisas que partem, unhas arranhando o chão e a saudade.

You have bewitched me...e se tens curiosidade, aqui está, resumidos aqui nesses poucos segundos, nessa cena de mãos frias na hora de digitar, no suave som da chuva, das tantas manifestações discretas de tentar buscar você.

"If however your feelings have changed, I'll have to tell you...you have bewitched me...
body and soul, and I love, I love, and Love you..."

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...