Não gosto de formas, de casas quadradas, com tetos baixos ou altos, pisinho de louça, portinha com trinco. As forams me deixam acabado. Por isso me vejo assim, sem forma. De dia acordo bem, sorrio pro espelho, relembro o passado, sorrio pra frente e sigo.
De noite me ocorre a saudade, no escuro me deito com o rosto pra cima, a mão sob os olhos claros, o choro, desejando não ter errado tanto. Lanço aos momentos pedidos de perdão, abraços de nunca esqueci, o laço que me deixou na carteira. Hoje, resgatar certas coisas me doem tanto.
O realismo, a maioria realista, me enjoa. As pessoas acham que viver sonhando um pouco é ruim e é preciso viver realmente tudo.
Também quero viver um bigfish, um pequeno aumento de minhas histórias. Quando digo que não gosto de poesia não é por que não as sei escrever, mas é por que a rima me limita as idéias. Me sinto obrigado a encontrar uma rima para casa, aí ponho asas, ou para roupas, rimo com poucas.
Quando na verdade gostaria de rimar casa contigo e roupas com teu abraço. Por isso repito minhas roupas e sempre estou porta à dentro de casa.
Assim todo dia me sinto abraçado aqui dentro contigo.
Há saudade!
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