terça-feira, 30 de agosto de 2011

A hora

Deu a hora do sono e ela se foi. Levantou-se da cama, jogou o lençol para o lado, com aquela expressão de cansada, suspirou ainda diante do espelho, vestindo sua calcinha e me disse:

- acho que não tem mais sentido...isso tudo entre nós...estou ficando cansada dessa cama,
desse quarto, desse cheiro, cansada de mim...

Bam!

Por que tanta solidão? Ir embora deixa um cheiro tão forte no ar, nas paredes, que enclausuram todo tipo de possibilidade de melhora instantânea. O que um dia foi macio, seus braços e abraços, aquela cabeça encostada no ombro durante o filme, levantar o encosto das cadeiras pra ficar mais aconchegante, os comentários sobre westerns nos filmes mais atuais do Clint Eastwood, aquele sorvete depois de encerrada a sessão, um sushi descompromissado numa segunda feira, nada mais.
O bom disso talvez seja a expectativa de que logo mais aparecerá alguém, desleixado, com uma camisa sem gola, sem jeito, ousado, vagando por aí que te encante e te desencante do passado.

Levantei hoje e fui direto no espelho do meu quarto...meus ombros caídos revelavam mais uma derrota. A derrota para o meu próprio quarto que não tenho vontade de mudar. Os livros que você deixou ainda estão ali, a sua caixa com papéis colocados no mesmo lugar, o meu lençol ainda é o mesmo. A maquiagem de palhaço no dia da festa à fantasia na casa do Nut, absolutamente tudo ainda está intacto. Eu me sinto tão mau assim, sendo fiel ou leal a essa lembrança que ao me contemplar no espelho vi outra pessoa...meu corpo não reconheceu a minha mente e eu questionei se aquilo era mesmo real. Não sou essa pessoa...não sou mais.

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