Se não fosse certa distância, agora eu com certeza não esperaria muito pra atrapalhar mais uma de suas noites. Se não fossem as viagens e os clichês que sempre dizemos uns aos outros, eu poderia falar muitas coisas. Você pode dizer que uso palavras repetidas, mas a muitos anos falaram que não há palavras que não sejam ditas. É uma maneira de dizer, uma inteligência de perceber a sutileza, o amor pelos entalhes, pelo pó de madeira que restou da escultura, o detalhe no cantinho do papel. É o rabisco distraído na folha do caderno do seu nome. Eu poderia escrever palavras ao contrário, mudando o que seria uma frase direta, tentando tornar poética uma coisa que não é. Eu poderia dizer que você não pode ser minha, e repetir isso pra mim todos os dias. Eu poderia justificar distância, que citei acima, idade, convivência, metas diferentes, poderia citar até minhas tristezas e frustrações, poderia citar chico, joão, antônio, renato, chris, você. Se o problema sempre foi emissor e receptor, eu me disponho a escutar melhor, a falar melhor, a sentir melhor. Daqui a uns meses, te ver vai se tornar uma necessidade e, como sempre, uma fantasia vai se formar e eu vou ter que realizar, afinal sou escravo de meus sonhos. Melhor do que isso não posso fazer. Não sei mais como dizer certas palavras, pois já me enoja certas repetições, mas quem seria eu especial se não tivesse algo pelo que você me comparasse com uma coisa real? Eu sou real, você também. A minha vida não se passa num musical, nem mesmo num blog. Ela se passa aqui, entre os meus retratos, retalhos, filmes, poemas, desejos e angústias. Assim como pouco a pouco, deixamos de gostar de certos detalhes, assim como deixamos de gostar de certos brinquedos de criança, deixei eu de gostar de certas grandezas. Ser adulto pra mim não faz sentido. Eu ainda gosto dos meus bonecos, brinquedos, lembranças e antigas canções. Não espero que você seja a imagem da Aloine na atual circunstância, mas um pouco dela você tem. E eu queria deixar uma coisa clara, sem malícia ou entrelinhas:
Só falta você cantar tão bem quanto ela, aí sim Kvothe eu seria.
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