terça-feira, 20 de julho de 2010

1996 ~ 2010

Entrei na m3 na 2ª série. Odiei de início, não conhecia ninguém, tinha deixado meus amigos, leandro e leonardo, na t3. Como todo início de ano, os alunos estão agitados demais para dar atenção a um novato. Era o que eu era, um novato. Novatos nunca tem moral com nada e como todo bom novato, eu puxei uma cadeira lá atrás. Sentar no fundo da sala significa 2 coisas em época de colégio: ou você é um vagabundo, ou é tímido. Os primeiro dias foram estranhos, talvez logo na 1ª semana, um dos garotos da sala passou mal e vomitou na porta da sala. Agora não me recordo o nome dele. Nessa época eu adorava as aulas de ciências por alguns motivos especiais, primeiro por que eram em duplas, segundo por que estavam fazendo uma espécie de rodízio de lugares e logo mais eu estaria sentado ao lado de uma menina. Depois de umas 3 semanas, eu estava teoricamente enturmado, meu primeiro amigo foi uma amiga. Sentamos em dupla na aula de ciências, eu estava enconstado da parede, ela do meu lado esquerdo. Se chamava Ana Luiza. Ela usava um "gigolets" amarelo, cabelos castanhos claros, lisos, sorriso bem feliz, e implicava comigo demais, por eu sentar com uma perna na carteira e outra no chão. Se você não entendeu, eu apoiava um dos pés no chão normalmente e a outra perna eu dobrava e encostava no meu peito com o pé em cima do assento. Era estranho, tanto ela como sua amiga, melhor amiga, naquele tempo isso existia, ainda com um tom mais sério. Mas pra eu falar dessa melhor amiga, é realmente complicado. Você não sabe como ela falava, nem sabe o jeito que ela falava, nem o som da sua voz, nem o cheiro, você não sabe nada. Talvez eu não tenha a capacidade de descrever com tanta fidelidade quem era ela e o que ela passou a representar depois, pra mim. No começo, na minha infância, eu era uma criança feliz, era inteligente e curioso. Eu falava sem pensar o que eu achava das meninas, eu implicava pesado com algumas outras e muito provavelmente pedia pra namorar com todas elas...na verdade eu era uma criança normal. Fazia escolinha de futebol, já que pela manhã eu não tinha coragem de fazer natação, fazia muito frio e eu tinha vergonha de ficar de calção de banho cara, as meninas da 2ª série na m3 eram muito mais bonitas que as da tarde. Sem contar que todos os meninos da minha sala jogavam futsal. Eu jogava também, era até bom nisso, mas não tanto quanto eles. Eles eram maiores, mais rápidos e eram da seleção. Pois bem, vamos começar pelo começo. Juliana, ela se chamava Juliana. Suspeito que eu devo ter me aproximado dela por conta dos nossos sobrenomes, a Ana Luiza falava que éramos primos. Além de muito parecidos, ainda tinhamos o mesmo sobrenome, então era batata. Se não fosse o destino, era coisa de criança, e coisa de criança sempre faz sentido, ué. Na frente da sala da m3 tinha um pé de jambo, igual ao pé de jambo no meu prédio, então eu vivia atirando coisas pra derrubar os jambos maduros pra comer, e aproveitava a sobra dos caroços pra tacar nas meninas. Cara era muito divertido, todo mundo voltava pra casa com as roupas super tingidas de vermelho do jambo. Durante o recreio, eu não lanchava, ou melhor, lanchava sim, comia um pão passado com guaraná taí. E brincávamos de carimba com as meninas, já que a quadra era usada pelos meninos do 1º e 2º ano. Tenho poucas lembranças da 2ª série. Mas lembro nitidamente da Aninha e da Ju, minhas primeira amigas, implacáveis implicantes. Na 3ª série eu já lembro, nossa sala era um pouco mais ao lado, num corredor, antes da escada da 4ª série. Durante a 3ª série minhas amizades se solidificaram, era comum alguns amigos irem às casas, um dos outros, para pequenos trabalhos em grupo. Os trabalho em cartolina sempre ficavam melhores quando meninas estavam no grupo, então eu maestralmente, sempre me colocava no grupo das meninas, no começo por que eu tinha uma letra legal, depois por que eu desenhava bem, depois por que eu era chato pra caramba e elas não tinha coragem de dizer não. A 3ª série era estudo pra valer, começamos a estudar ciências sociais, era muito difícil. Matemática era quase impossível, eu tinha muita dificuldade pra aprender a dividir números compostos, e a fazer operações compostas. Era um saco. Nessa época os gênios se destacaram, mas não preciso citar os nomes aqui. Essa história é sobre ela, e eu vou me concentrar nisso. Bom, Juliana. Fazem 14 anos que nos conhecemos, ou que primeiramente nos conhecemos. Ela era linda, como as demais meninas. Simples, falava alto pra caramba, gostava de bater forte quando a gente implicava, corria que nem uma pestinha, a gente adorava ver ela, a marina, a rafaela, a renata e a aninha dancarem. Naquela época qualquer menina que dançava "é o tchan" se garantia...e por mais tosco que fosse, os meninos se apaixonavam por isso. Todos eram apaixonados pelas 3 de olhos verdes, mas eu só queria saber dela. Ela não era convencional, nem sequer era alta como as outras meninas. Mas ela gostava de mim. Recentemente eu soube que ela me ligava só pra ouvir minha voz. Eu era bobo demais, hoje ela é linda, ainda mais do que eu achava, e o tempo passou. Na época, eu até cheguei a namorar com ela. Aqueles namorinhos de mãos dadas, que só a gente sabia, mas negava pra toooodo mundo no colégio. Era tão inocente que nem rolava ciúmes, cobrança, compromisso, obrigações. Era uma coisa nossa, uma coisa singela, sincera e honesta. Amor de criança é amor de verdade. Bom, o tempo passou, vamos nos voltar ao presente. Hoje eu tenho 24 anos, ela também, está super bem, feliz, namorando e simpática e linda, como sempre. Se eu perdi a minha chance? Sinceramente não penso dessa forma, não acredito que houve uma chance ou não, ou que eu guardei esse bom sentimento por todo esse tempo, por que esperava um dia reencontrá-la. Honestamente achei que ela fosse me tratar como um retardado da época do colégio, obcecado pela minha infância, que estava querendo resgatar um passado enfadonho e escondido por anos na minha memória. Estou tremendamente feliz de tê-la encontrado novamente e desejo tudo de bom. Sem dramas e sem exageros, eu a amei. Sinto-me feliz por isso e por ainda ter guardado isso no meu coração.

Um comentário:

  1. obrigada pelo comentário que você fez a nós - seus leitores: "você não sabe nada". valeu!

    ei, não sei de nada mas sei como é me sentar daquele jeito, e adoro! mas eu não sei nada!

    coisa de criança nem sempre faz sentido! rss.

    ah, aqui eu concordo: amor de criança é amor de verdade!

    só cuidado pra às vezes não guardar demais.

    p.s.: 'toma' na minha cara! fui falar que num tinha post novo, aí vem três! e esse, gigante! é isso aí.

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