Eram 2h da manhã, a pickup ligada andava desde os anos 70 no mais alto índice de velocidade.
Cada marcha era uma sensação diferente. Alguns estavam sozinhos dentro dela, outros acompanhados, outros procurando companhia. Não importa, todos gostavam das imagens que estavam surgindo pelas janelas laterais. Não falava-se frase completa, apenas alguns ruídos, era o sentir que importava, o olhar trocado que tocava, o gesto aleatório do corpo que respondia.
Avistou-se alguém na estrada. Pediu carona, subiu na caçamba. Estava parte e à parte de tudo. Com os olhos fechados, as pernas abertas e semi flexionadas, um óculos pretinho, a franjinha voava de um lado para o outro. Segurava uma lanterna verde na mão, que constantemente levava à boca. Parecia cantar, saboreando o malte do pecado e desorientação a longo prazo. Vagou pela parte extrena da pickup, e papeou dançante aos ouvidos de outros dentro dela. Entre uma placa e outra, de décadas, alguns paravam de interagir e outros começavam. Ela porém, a carona, não parava. Ela melodiava as imagens em movimentos suaves do seu corpo. Parecia em busca de resposta ou respondendo às perguntas. Eu dirigindo, percebi que aros dançam, e me encantam.
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