Acordei rindo da saudade, rindo dos nossos trechinhos estreitos, sorrindo abobalhado do ordinário. Despertei de alma satisfeita, com o espírito sossegado, desejando o real apego, a certeza, o café e a nossa mesa. Levantei descansado, visitando os cômodos cheios da casa, cheirando minha alegria morena nas primeiras horas do dia.
Acredito que nem tudo pode ser explicado por palavras; tenho, inclusive, dúvida se certas coisas podem sequer ser explicadas. Digo isso porque me parece que a vida passageira mete a gente em cada surpresa, meu amigo. Há uma hora em que somos melhores amigos e, no súbito segundo sequente, somos os piores problemas.
Aposto que, se estivéssemos sentados, um diante do outro, seria praticamente impossível um escolher ir e deixar o outro ali, sem saber como segurar as pontas. É fácil fazer estando a 3.760 km, é fácil deixar de espiar, é fácil, é fácil — e eu repito — até o fácil deixar de me incomodar.
Naquela tarde vazia, você me ligou e me fez o dia. Agora, pela janela, só vejo fumaça e pessoas.