Parabéns, Invisível. Mais um ano se passou com a ajuda de dipironas, antialérgicos e corticóides, três cirurgias, hábitos nada saudáveis… Consegui uma faixa preta, mas perdi muito tempo, confei demais, me perdi em meus desejos, afastei pessoas importantes, fiquei meses sem cortar o cabelo, adoro perfumes e ao mesmo tempo os detesto. Ainda assim, esses anos passaram e eu não consegui retardar uma cena, memorizar perfeitamente uma frase, entender claramente uma explicação. Não consegui esperar respostas, contatos, desabafos e comemorações. Nem esquecer alguns dos seus beijos, cheiros e amigos.
Os 39 passaram rápido e chegaram em boa hora, afinal, lembro e agradeço pelos amores que quis e consegui, todos, pelos desafetos que conquistei e que não fiz absolutamente nada para remediar. Pelos tantos pesares que fiz questão de superar e pelos sorrisos bobos que arranco com poucas palavras. Estive no “spotlight” por tempo suficiente — e isso é absurdamente incoerente, visto que sou tímido, pretensioso e chato, em ordens aleatórias, a depender da pessoa.
Se puder viver o triplo será uma maravilha. Que Deus continue me abençoando e que esse meu caminho inspire meus filhos a viverem suas aventuras, amarem, perderem, criarem e voltarem.
Eu? Estou aqui. Ainda.