domingo, 5 de maio de 2024

Lembrar?

Juntando tudo que fazia sentido, provavelmente menos de uma caixinha daquelas de armarinho conseguiria encher. Restaram alguns cadernos, provas com notas baixas, desenhos e rabiscos, trechos de músicas, o telefone de uns amigos, fotografias..

É, foram momentos inesquecíveis, cada um a sua maneira. Da primeira a última lembrança, posso dizer com confiança, que nada foi simples como tenho na memória. 

Algumas emoções deixaram apenas vestígios, dos quais preciso me esforçar para trazer a tona, enquanto outras me aborrecem quando menos espero, me despertam quando mais tenho sono. 

Quem dera tivesse certeza, naquele tempo, de certas palavras, ou até soubesse o que não deveria ter dito. O passado é, curiosamente, sempre maldito. É lá que vivem nossos arrependimentos, mágoas e maiores medos, mas também é pra onde, as vezes, queremos visitar e se pudéssemos correríamos como um filho perdido corre chorando aos braços dos pais.

Deixei companheiros, amores, gestos e desculpas. Deixei uma versão complicada pra entender hoje, um protótipo tosco e perdido. Deixei uma conversa não acabada, um perdão de lado, prato na pia por lavar, uma camisa de tricô, um pedido, um aviso, deixei tanta coisa que hoje Deus curou, mas não deixo de lembrar. 

Porque será que nunca deixo de lembrar? 


Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...