segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Seu Coadjuvante

Phoenix - Too Young

"Eu queria realmente ter uma boa razão pra chegar em casa no meio da noite, esse pequeno reino acima das árvores, onde eu sempre vencia e normalmente estava certo."

Segurando uma garrafa de vidro vazia, cabelos bagunçados, a bolsa esticando a manguinha da camisa, entrou em casa direto pro quarto. Era difícil dizer o que acontecera naquela noite. Achou que fosse bacana ligar pra um amigo e conversar então ligou. Estava determinada a falar sobre como tudo estava inquietantemente normal, mas a coisa toda foi parar em filmes e livros.
Passaram pouco mais de quarenta minutos na ligação, quando sem mais assuntos desligaram e um pouco de coragem a levou ao banheiro. Encheu a escova de pasta e desajeitada limpou seus dentes. Eles eram estranhos como japoneses. Sentou-se no vaso num breve descanso, tirou a camisa abarrotada e o soutien. Levantou-se despindo-se completamente. Um passo dentro e a ducha quente aliviou sua pesada cabeça. Levando as mãos ao rosto, o resto de rímel ainda escorria revelando olhos cansados. Buscou uma toalha e sem muita paciência para vestir-se, só fechou a cortina e trancou a porta. Olhou-se diante do grande espelho e alegrou-se. Alguns quilos à menos já devolviam o contorno de sua cintura e o tamanho adequado dos seios. Se só beleza encantasse alguém, ela tinha o passaporte pros contos de fadas. Queixava-se intimamente de sua cor branca demais, porém não chegava a ser pálida. Deitou-se e no teto tudo girou. Girou a noite em dia, onde já podia dormir.
Esticando o braço alcançou sua camisola, mas ainda precisava da parte de baixo. Levantou-se e o celular vibrou na mesinha. As vezes ele mandava mensagens de madrugada, falando pouca coisa ou perguntando outra. Ele fingia e ela não sacava. Ele tinha medo de como ela reagiria e deixava como estava. Ela não percebia e nada permanecia sem acontecer. Alguns momentos depois, já vestida e pronta pra enfrentar os sonhos maçantes e confusos, respondeu a mensagem como sempre e, sem saber, alimentava a relação com frieza e distância. Enrolou-se e pegou no sono. Sonhou com coadjuvantes. Os principais eram clichês e fáceis.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Quem ama lembra


" Sinto muito. Era isso que queria dizer daquela vez? "


Lembro dos detalhes, das cores, das promessas e dívidas.
Lembro das migalhas, dos caminhos, de você.
Lembro de ir, de voltar, de agradecer, de perdoar.
São ações, é silêncio, são paixões, é tamanho.

Lembro dos vinhos, das tintas, das fotos e abraços.
Lembro das pegadas, dos espinhos, de mim.
Lembro de deixar, de sumir, de pedir, de não ter.
São bordões, é voz, são corações, é vento.

Lembro de deitar, do cheiro, das fronhas e lençóis.
Lembro dos restinhos, do carinho, de nós.
Lembro de ficar, de beijar, de escurecer, de precisar.
São normais, é dia, são sonhadêlos, é areia.

Lembro de você, de mim, das coisas e laços.
Lembro quem foi, o que foi, como foi, quando foi.
Lembro, não esqueço, Lembro não desfaço,
Lembro não te acho, Lembro logo Amo.

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...