quinta-feira, 27 de novembro de 2014

De verso em verso


Debussy - Pagodes



"Cansado de procurar versos, passou a julgar pelas primeiras impressões. Era mais honesto, as mentiras sempre vinham após as expectativas."




Há algum tempo, o ar-condicionado do meu carro começou a pifar, apareceram dores de cabeça pela quantidade de doces que eu estava comendo, também estava intensificando minha rotina de treinos e, finalmente, o entendimento para minhas obrigações havia chegado. Entre tantas facetas da vida, uma coisa ainda estava fora do lugar e eu pretendia deixá-la assim. Nunca se deve puxar uma revista que está por último numa pilha de livros grandes. Você sabe o que vai acontecer. Na melhor das hipóteses, a capa se destaca do conteúdo, cagando o exemplar, e eu só estava interessado na capa, o conteúdo outro idiota podia aturar e tentar entender.
Por isso, na maior parte do tempo, a falta do ar-condicionado era bom e as dores de cabeça também. De certa forma, minha rotina toda fazia o papel de uma boa conversa sobre isso. Canalizar com catalisadores, a melhor solução pra tirar uma ideia estúpida da mente.
Não pretendia consertar o carro, nem procurar comer menos doces, muito menos diminuir meus treinos.
Tudo isso me fazia bem. Respirar um ar puro entre os carros no trânsito, tomar analgésicos regularmente e voltar machucado, praticamente todos os dias.
Minha cama forma um buraco, eu ando pesado, mas nem por isso deixo de seguir a dieta, de tentar colar a porr* da capa daquele conteúdo enigmático.
Era um cara apaixonado, com aquela ideia surreal de que havia um sentimento profundo entre a gente, mas quando tu me pediu pra falar o que eu sentia, só saiu um "eu..não...sei...".
Deve ser isso mesmo, uma porrada de vontade, endorfina, doces e dores. Um pronome, uma negação e um verbo.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

É segredo

Sondre Lerche - On and Off Again

"com quantos segredos se faz um coração partido?"

Ei, por que você é duas pessoas diferentes comigo? São os remédios? Situações convenientes?
Ah, você se enfia com cara e coração em sete mil livros, me dá respostas com no máximo 4 sílabas, e quando nos encontramos soamos como melhores amigos. Tem algo errado, sabe, just saying.
Essa semana mesmo, li uns textos pra você e torci que notasse que, apesar daquilo ter sido escrito pensando por outra pessoa, ainda eram os meus pensamentos. Também tenho segredos e costumo me corroer todo pra guardá-los, alguns inclusive sobre você. Quando pergunto se existe alguma chance de me contar os seus, é por que tenho uma penca pra compartilhar e gostaria que fosse contigo.
Acontece que gosto um tantão assim de você e, poxa, queria que as coisas fossem de outro jeito e que o passado não fosse tão forte na nossa relação, nem o presente.
Me sinto abraçando o vento, perseguindo um unicórnio, quando se trata da gente se dar bem de verdade. Vê se para de ser assim, não precisa fingir que me acha bacana, porque agora eu tô aqui tentando ser mais uma vez o babaca de sempre. Não entro em relacionamento pra economizar,
eu ostento desejo de te ter por perto, então para de ser nice na frente das pessoas, se não te interessa ser também quando ninguém mais vê. Você sabe guardar segredo? Pois guarde esse!

sábado, 1 de novembro de 2014

I'm a total Be I It

Wilco - You and I



Um cara random qualquer ia lançar um livro essa semana e como eu estava sem opções mais apropriadas pro meu mais que novo envolvimento com o tédio e falta de paciência pra responder suas mensagens, resolvi tirar a poeira e bater as pernas até essa livraria.

(no começo, a gente costumava se segurar forte)

 O livro era um mix de poeira cósmica com aquela velha história de reconquistar alguém, eu simplesmente amei, mesmo que fosse completamente o contrário do que eu realmente quisesse por hora. Era que, nesse caso, ele não ficava tentando de todo jeito mirabolante, ele ia embora e pronto, que saco!, mas eu só saberia depois, que história boa mesmo tem que ter pelo menos um idiota e que eu iria fazer meu papel direitinho.

(sexo nunca foi tão bom assim, você não entendia seu problema)


Levei um tempo pra ir embora e isso foi péssimo, perdi muito tempo comigo, encontrei gente demais, tive que dar explicações e, sem querer, nos vimos e conversamos por dez minutos longos demais pra minha nova filosofia (só iria me apavorar uma vez por dia).
Peguei o elevador no subsolo e ele subia bem devagar, mais rápido que uma bala de canhão. As coisas não faziam sentido mesmo, já que em casa, ficar na cama, ardia e me dava desconforto. Sua foto ainda estava no painel, mas eu precisava ser forte, já tinha passado tempo suficiente encantada pelas minhas expectativas altas.
Mamãe disse que eu era bonita, antes um pouco sem jeito, mas agora, que eu me arrumava, provavelmente conseguiria coisa melhor, uma coisa melhor, uma coisa, um objeto. Ela quis dizer um homem?!

(nem tudo são rosas, no nosso caso nada)

Vejam só, já é noite e por aqui as mesmas fotografias naquele painel. Elas não passam de um total desleixo, mas deixo as pessoas pensarem que ainda estou na etapa de desapego, quando na verdade é o mais puro malte de ócio.

(você me alimentava, era mais simples do que parecia)

É aquela velha história de amigos que acabam ficando juntos. Por mais certo que pareça, a coisa toda sempre degringola e passa a ter a curta vida de flores em vasos, morrem em míseros três dias. O próximo vai ser como as de plástico, com até 18cm e limpo, apenas um consolo.

(eu ainda te amava, só não tinha saco pra continuar te odiando)


















Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...