John Mayer - XO
"Antes que eu pudesse dizer que um mais um é sempre mais que dois, fui corrigido pela matemática da vida, onde não importam as variáveis, sempre vai ser na casa dos cinquenta porcento."
As pessoas vão ao trabalho em busca de tudo e logo a vida da rotina, que as vezes nos despreocupa, também nos deixa seco, pálidos e frios. Viramos abates de vitrine, fotos e estática, pouco vivemos, sabemos, aprendemos, sentimos. Eu era um abate, mas com a ajuda de algumas dores, saltei dos ganchos e hoje vivo sangrando, com uma ferida enorme que todos me perguntam onde consegui. Foi quando estava servindo de cobaia e exemplo pras suas expectativas, quando passei dias, meses e anos desejando tudo diferente. É que ontem eu voltei ao passado pra descobrir se mudando ele mudaria alguma coisa. Tive um lampejo de docura, medo, ansiedade pra voltar à uma realidade alterada pela minha experiência, porém o futuro se mostrou mais triste ainda, estava mais sozinho e você não estava comigo. Cruzei os dedos, engoli à palo seco e escolhi contar nossa história mais de cem vezes, porque aquilo que não é real, na nossa realidade, não precisa ser esquecido, perdido. Criei um faz de conta que acontece quando a gente se permite, mesmo longe, acreditar que mudando tudo, mudaria tudo. Mágica, Pure Magic. Um conto de fadas que meus amigos participam, ficam felizes, brincam comigo e me ajudam, e eu os ajudo. Lá, onde tudo é possível, não tem espaço pra sua real pessoa, mas tem espaço pra quem você nunca quis ser, lá nem mesmo eu sou eu, sou um expectador cheio de expectativas, olhando a sua vitrine, a sua mentira tentando ser contada pra virar um conto de fadas.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
Mentiram a Verdade
Thyco - Dive - A Walk
E se o que contam sobre o tempo e a distância, fosse um jeito de esconder uma mágica que sempre existiu entre nós? E se essa história de let go não passasse, se esses moldes fossem adulterados, quando o verdadeiro fosse o Amor de fato? Eu não sei, mas você foi meu último se.
Vamos dar uma volta no passado?
Era moço quando em 94 a seleção ganhou a copa, a primeira que tive consciência de ver. Bebeto dedicando gol ao filho, Romário brilhando com grandes dribles, emoções, fogos na rua, o Dorflex ainda era vivo e perambulava por aqui falando sozinho, torcendo sozinho também. Em 94 eu tinha 7 maneiras de dizer muitas coisas tolas, eu tinha 7 medos, eu tinha 7 certezas e nem sabia o que fazer da minha vida, mas sabia 7 maneiras de dizer com certeza o que eu não queria fazer. Foi uma infância de provações, decepções, alegrias e medos, e eu tinha medo, muito medo de crescer. Crescer, pra mim, na época, significava esquecer os amigos, mudar-se, outro bairro, desprezar o passado, esquecer o pé de jambo, as meninas da rua que eu queria namorar quando tivesse 12 anos e que fizeram exatamente isso quando cresceram. Meu passado foi cheio de coisa que não presta e das que prestam faço gosto de não contar, são os meus tesouros, são para o meu filho, minha mulher, minha família, os que me consideram amigo, não os que considero, pois nunca soube definir um amigo e acho um tolo aquele que tenta definir. O colégio não era lá essas coisas também, a grande maioria estudava e eram melhores nas notas. Fui um mediano em tudo, menos quando o Isaac nasceu, mas creio que tenha tido ajuda de Deus e dela, do contrário ele teria sido médio bonito, quando na verdade ele é a personificação do que eu guardei de melhor, do que hoje eu tenho uma enorme dificuldade de compartilhar, por minha e sua culpa, por eu me deixar e você me deixar acreditar na mentira daquela verdade, que um dia você me amou, que seria pra sempre, que você jamais iria me let down. Dizem que mentira tem perna curta, mas curta é a verdade. A mentira é longa e magoa até hoje.
E se o que contam sobre o tempo e a distância, fosse um jeito de esconder uma mágica que sempre existiu entre nós? E se essa história de let go não passasse, se esses moldes fossem adulterados, quando o verdadeiro fosse o Amor de fato? Eu não sei, mas você foi meu último se.
Vamos dar uma volta no passado?
Era moço quando em 94 a seleção ganhou a copa, a primeira que tive consciência de ver. Bebeto dedicando gol ao filho, Romário brilhando com grandes dribles, emoções, fogos na rua, o Dorflex ainda era vivo e perambulava por aqui falando sozinho, torcendo sozinho também. Em 94 eu tinha 7 maneiras de dizer muitas coisas tolas, eu tinha 7 medos, eu tinha 7 certezas e nem sabia o que fazer da minha vida, mas sabia 7 maneiras de dizer com certeza o que eu não queria fazer. Foi uma infância de provações, decepções, alegrias e medos, e eu tinha medo, muito medo de crescer. Crescer, pra mim, na época, significava esquecer os amigos, mudar-se, outro bairro, desprezar o passado, esquecer o pé de jambo, as meninas da rua que eu queria namorar quando tivesse 12 anos e que fizeram exatamente isso quando cresceram. Meu passado foi cheio de coisa que não presta e das que prestam faço gosto de não contar, são os meus tesouros, são para o meu filho, minha mulher, minha família, os que me consideram amigo, não os que considero, pois nunca soube definir um amigo e acho um tolo aquele que tenta definir. O colégio não era lá essas coisas também, a grande maioria estudava e eram melhores nas notas. Fui um mediano em tudo, menos quando o Isaac nasceu, mas creio que tenha tido ajuda de Deus e dela, do contrário ele teria sido médio bonito, quando na verdade ele é a personificação do que eu guardei de melhor, do que hoje eu tenho uma enorme dificuldade de compartilhar, por minha e sua culpa, por eu me deixar e você me deixar acreditar na mentira daquela verdade, que um dia você me amou, que seria pra sempre, que você jamais iria me let down. Dizem que mentira tem perna curta, mas curta é a verdade. A mentira é longa e magoa até hoje.
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