segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Da vida as verdades, da morte as saudades.

John Mayer - Vultures



"Me consumo em farsas, como mercadoria de troca em troca de mim..."



Além de tudo, ela me prometeu mais que 12h de proteção, parecia melhor que meu tubo de pasta de dentes, não só mantinha meu sorriso em dia, como também dava um ar de 'frescor' quando dizia qualquer coisa. Não havia um custo benefício melhor que isso, a menos que ela viesse com mais que 120g de cremosidade e hortelã.
Tirei meus sapatos, sentei na ponta da cama e liguei a tv, trocando uma idéia boba sobre a teoria dos personagens nos filmes. Ela ouviu atentamente, parecia ser paga pra me ouvir falar bobagens. Opinava coisas pertinentes, me abraçava na hora certa em que meus ombros estavam caídos e seus braços eram do tamanho da minha fadiga. Passamos alguns dias juntos após o reveillon, o que foi basicamente meu primeiro encontro. Tinha uma situação mágica em minha mente, só que a realidade consegue estuprar todo o nosso senso de perfeito, nos dando exatamente o que é necessário pra ignorar o nosso conceito de perfeição. Independente de como ela me beijava, abrindo os olhos, passando os cílios nas minhas bochechas em suaves cócegas, era o doce que me predia em alguns minutos de algo que eu estava dando e recebendo mais do que parecia merecer.
Levantei cedo, tinha um trabalho pra entregar e você já tinha saído. Era um daqueles dias que a gente chegava cansado e dormir sujo parecia uma opção íntima. Não havia do que se queixar, a não ser os dias que você precisava pisar em casa e dar satisfação aos seus pais, passando uns 3 dias sem revirar minha cama. Isso era ótimo. Sua sintonia com a minha imaginação, fez de minhas noites não dormidas um prato perfeito pra sua mania de vir de surpresa. Ainda lembro de como nos conhecemos, mas não quero contar como foi, pois mesmo que eu viva 150 anos, jamais seria capaz de te fazer acreditar que eu estava realmente comprando pipoca pro meu irmão mais novo. É, você não acreditaria mesmo. Será que eu te amo ou só deixo essa palavra cumprir sua função dentro do nosso ciclo de amigos? Não, eu te amo mesmo, sua boba. Tenho certeza que não alegra mais o céu que meus dias.

sábado, 18 de janeiro de 2014

19 maneiras


Kings of Convenience - Renegade



"Você costuma acreditar em correntes, eu acredito em você. Corrente é pra quem tem medo de se desprender, eu, pelo contrário, sou um elo fraco, nasci pra me separar."



É janeiro, mais um que chegou e de 19 maneiras pensei em não dizer nada. Tendo a adicionar ingredientes sussurrados, pra deixar uma marca minha, mas que vaidade tenho eu de tentar ser único, quando de nada único podemos viver. Mais um ano que eu não conto, que ninguém me diz nada, que tento deixar menos vergonha, mais do mesmo. Contrariando meus anseios, sufocando mil saudades dos que morreram, vivo a maior ficção do quem sou eu. Desculpas de tantas maneiras, meus irmãos estão cansados de dramas e eu te deixo ir só, nem te busco, nem me busca.
É um tregua passageira, creio eu, até a próxima bifurcação, até o próximo não entender, até o outro ponto epifânico, até breve.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Reacionário de mim


Toto - Bottom of Your Soul



"Não só em outras vidas, pedra por pedra, fiz uma pirâmide e a deixei ali, no aguardo circular de voltas, de nuncas, de certezas que por maior que sejam os giros, serão mais que um simples momento..."



Ultrajei grandes artistas, brandando seus piores sucessos, tantos jabás, tantos bláblás, versos escondidos de mentiras, fracassos, derrotas, tristezas, algumas em russo, outros e tantos eus que jamais saberei dizer onde começo e onde termina. Me confundo com tanta coisa, com tantas praças sem pessoas, com tanta calçada sem aqueles banquinhos velhos, com tanto canto sem nada. As vezes imagino um mundo perfeito e nada é tão perfeito assim, sabe. Acho que muita gente luta por um monte de causa besta ou sou eu quem não enxergo causa nenhuma nas lutas. Deve ser isso. Quanto mais olho o meu próprio crescimento, meio que deixo de lado as minhas ideologias. Elas não servem verdadeiramente pra nada, é uma automassagem, uma espécie de autoajuda já antes falida. Não há o que fazer por 1, 2 ou 3 bilhões de pessoas. Não se muda o mundo, não há sequer um justo nessa terra. O mundo é feito de homens, mulheres, meninos, filhos, irmãos, somos todos, eu e você parte de uma tentativa desesperada de encontrar a razão pras coisas do dia a dia, quando a razão é cumprir o seu papel diário, seguir com suas escolhas, questionar outras, se analisar. Acho que quando você realmente reconhece que você é infinitamente tosco, errado, perdido, cego, cheio de manias, indeciso e todas essas coisas abstratas, a vida segue mais leve, menos preocupada. Dinheiro é necessário dentro disso tudo, uma bicicleta também, mas nenhum dos dois pode ser comparado, devem coexistir sem a intervenção de alguém em julgar um melhor pro mundo que outro. O mundo, como eu disse na minha explicação, é feito de gente, de livre arbítrio, de eus, individuais. É impossível pensar mais no coletivo que em você. A fome, a sede, a morte, as malícias e as demais tentações afetam o homem de maneira geral, mas na verdade só você sabe o que é o Seu sofrimento, o Seu Amor, a Sua saudade. Há um significado tosco num livro metalinguístico, mas pra mim Amor sou Eu e como eu me sinto em relação a você. Pisando no ar, triste por te ver pensar tão pouco, concluir tão rápido. Jovem, cresça, pense, ame, falhar está no seu DNA, aprender também.




"Ao procurar Deus, trôpego e vil me encontrei, foi aí que o fosso fez sentido e de mim partiu o maior louvor de todos, o arrependimento. Só Deus te mostra que mérito nenhum há nas suas conquistas pessoais, é tudo vaidade e Deus não gosta da soberba..."

Relato

Hoje o céu tá um tanto cinza. Fortaleza tem esses dias; é uma forma de lembrar que por aqui temos muita saudade. Fico me perguntando se apro...